do Jeremy Rifkin
A Sociedade do Custo Marginal Zero de Jeremy Rifkin é uma visão audaciosa do futuro econômico global. Rifkin, assessor de governos europeus e da Comissão Europeia, argumenta que o capitalismo está sendo vítima do seu próprio sucesso: a competição e a tecnologia estão reduzindo os custos marginais de produção de bens e serviços para perto de zero, tornando obsoleto o modelo de mercado tradicional baseado na escassez. Em seu lugar, emerge uma economia colaborativa impulsionada pela Internet das Coisas, energia renovável e fabricação digital.
“O capitalismo está dando à luz um filho que vai substituí-lo: a economia colaborativa. Não desaparecerá da noite para o dia, mas seu papel dominante na civilização está chegando ao fim.” — Jeremy Rifkin
RESUMO DO LIVRO
Rifkin constrói seu argumento sobre uma observação econômica fundamental: quando o custo marginal de produzir uma unidade adicional se aproxima de zero, o preço também tende a zero, e o modelo de negócio baseado em vender cópias colapsa.
Já aconteceu na informação: A música, os livros, as notícias e a educação já passaram por essa transformação. Bilhões de pessoas produzem e compartilham informação a custo marginal quase zero. As indústrias que dependiam de controlar a cópia —gravadoras, editoras, mídia— foram as primeiras a sentir o impacto.
Está acontecendo na energia: Rifkin descreve como os painéis solares e a energia eólica estão reduzindo o custo marginal da eletricidade para perto de zero. Milhões de lares e empresas se tornam produtores e consumidores simultâneos (prossumidores), conectados em redes inteligentes que distribuem energia como a internet distribui informação.
Chegará à manufatura: A impressão 3D e a fabricação digital prometem fazer o mesmo com objetos físicos. Quando qualquer um puder fabricar produtos personalizados em casa, as cadeias de suprimento globais se transformam radicalmente.
Os bens comuns colaborativos: Rifkin propõe que junto ao mercado capitalista emerge um terceiro setor —os bens comuns colaborativos— onde as pessoas compartilham em vez de possuir: moradia (Airbnb), transporte (Uber, car sharing), conhecimento (Wikipedia, MOOCs), financiamento (crowdfunding). Este setor não busca lucro, mas acesso, e sua lógica é fundamentalmente distinta da do capitalismo.
O livro é ambicioso em seu alcance, cobrindo economia, tecnologia, energia, educação e transformação social. Rifkin escreve com a convicção de quem acredita estar descrevendo uma mudança civilizatória, não apenas uma tendência de mercado.
POR QUE RECOMENDO LER ESTE LIVRO? Por Francisco Santolo
Rifkin faz algo que poucos economistas conseguem: conectar tendências tecnológicas com transformações sociais profundas e fazê-lo de maneira acessível. Este livro me ajudou a entender por que tantos modelos de negócio tradicionais estão colapsando e por que os novos modelos que emergem são tão diferentes em sua lógica fundamental.
O que mais me impactou é a ideia de que o custo marginal zero não é uma anomalia, mas a direção natural da tecnologia. Se isso é verdade —e as evidências sugerem que sim— então qualquer modelo de negócio que dependa de escassez artificial tem data de validade. Isso muda fundamentalmente como os empreendedores devem pensar sobre sua proposta de valor.
No contexto da Scalabl®, este livro é referência obrigatória quando discutimos modelos de negócio com empreendedores. Ajuda a perguntar: meu modelo depende de controlar algo que eventualmente será gratuito? Estou construindo sobre escassez real ou artificial? Essas perguntas são desconfortáveis, mas essenciais.
Não concordo com todas as predições de Rifkin —algumas são otimistas demais sobre os prazos de adoção— mas o marco conceitual é poderoso e obriga a pensar no longo prazo, que é exatamente o que os empreendedores precisam.
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• Organizações Exponenciais — Salim Ismail descreve como as empresas que aproveitam tecnologias de custo marginal zero podem crescer 10 vezes mais rápido que as tradicionais. O complemento organizacional da visão econômica de Rifkin.
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