Dead Companies Walking: Como um Gestor de Hedge Fund Encontra Oportunidades em Lugares Inesperados

Dead Companies Walking: Como um Gestor de Hedge Fund Encontra Oportunidades em Lugares Inesperados

do Scott Fearon, Jesse Powell

Finanças

Resumo e Por Que Ler o Livro

"Dead Companies Walking: How a Hedge Fund Manager Finds Opportunity in Unexpected Places" de Scott Fearon é um relato desde as trincheiras do mundo dos investimentos em short. Fearon geriu um hedge fund durante mais de três décadas, especializando-se em identificar e vender em short ações de empresas que eventualmente iriam à falência. Com um enfoque na análise de gestão empresarial mais do que em modelos financeiros complexos, o livro expõe por que a maioria das empresas que fracassam não o faz por fraude, mas por erros de julgamento preveníveis.

"A maioria das empresas que entram em bancarrota não são fraudes nem modas passageiras. São fracassos comuns e correntes, resultado de más ideias, má gestão ou uma combinação de ambas. O fracasso é parte ordinária e crítica do que faz com que uma economia de mercado saudável funcione." — Scott Fearon

 

RESUMO DO LIVRO

Fearon identifica seis erros fatais que cometem os líderes empresariais cujas empresas terminam em bancarrota. Estes padrões descobriu-os após analisar pessoalmente mais de 2.000 equipas diretivas e shortear mais de 200 empresas que eventualmente quebraram:

1. Miopia histórica: Assumir que o passado recente é o melhor preditor do futuro. Fearon documenta o caso da Global Marine, cujo CFO mostrou um gráfico de 20 anos demonstrando que a utilização das suas plataformas petrolíferas nunca baixava dos 70%. 18 meses depois, a empresa estava em bancarrota com a utilização nos 25%. Os ciclos longos (superciclos) podem englobar ciclos curtos que parecem imutáveis.

2. Falácia das fórmulas: Confiar cegamente em fórmulas de sucesso passado. Fearon admite ter perdido duas das suas melhores oportunidades —Starbucks e Costco— porque a sua fórmula GARP (Growth At Reasonable Price) indicava que estavam sobrevalorizadas, ignorando o seu potencial real de crescimento.

3. Descuidar os clientes: Perder de vista quem gera as receitas. Os diretivos apegam-se emocionalmente aos seus produtos e ignoram os dados mais importantes: o comportamento real dos clientes. É o viés de confirmação aplicado aos negócios.

4. Vítimas de manias: Cair no otimismo coletivo que faz acreditar que "desta vez é diferente". Fearon documenta desde a bolha do petróleo no Texas até ao dot-com e à bolha imobiliária de 2008.

5. Não se adaptar a mudanças tectónicas: Falhar em reconhecer quando uma indústria mudou fundamentalmente. O exemplo da Blockbuster —tentando salvar o seu modelo de lojas físicas enquanto a Netflix redefinia o negócio— ilustra como os líderes se aferram ao passado em vez de pivotar.

6. Desconexão operativa: Estar fisica ou emocionalmente afastado das operações. Os diretivos em torres de marfim tomam decisões baseadas em relatórios em vez de ver o negócio real.

Fearon enfatiza que shortear não é antipatriótico nem malicioso. Os vendedores em short são os mais cautelosos do mercado porque enfrentam risco ilimitado (uma ação pode subir infinitamente, mas apenas descer até zero). Identificar empresas condenadas requer a mesma análise rigorosa que encontrar vencedores.

O livro também explora casos onde Fearon cobriu posições curtas e até comprou ações quando as empresas conseguiram reverter o seu curso. A flexibilidade —não ter opiniões rígidas— é chave no investimento.

 

POR QUE RECOMENDO LER ESTE LIVRO? Por Francisco Santolo

Este livro é um masterclass de pensamento crítico aplicado aos negócios. Fearon não é um teórico académico; é alguém que pôs o seu dinheiro onde estava a sua boca durante 30 anos. A sua perspetiva é valiosa precisamente porque é contrária: enquanto todos procuram o próximo unicórnio, ele especializou-se em encontrar empresas que se dirigiam ao abismo.

Recomendo especialmente porque ensina a ver o que outros ignoram. A "miopia histórica" é um erro que vejo constantemente em empreendedores: assumem que porque algo funcionou assim o ano passado, funcionará assim o próximo. Os ciclos de mercado, as disrupções tecnológicas, as mudanças de comportamento do consumidor —tudo isto invalida modelos que pareciam sólidos.

Os seis erros de Fearon são exatamente o que destrói empresas prometedoras em etapas iniciais. O empreendedor que se apaixona pela sua solução e deixa de ouvir os seus clientes (erro 3). O que segue a sua "fórmula" de crescimento a olhos cerrados sem notar que o mercado mudou (erro 2). O que está tão ocupado a levantar capital que não nota que o seu modelo de negócio já não faz sentido (erro 6).

A "falácia das fórmulas" também me ressoa. Frameworks como o Business Model Canvas ou metodologias ágeis podem tornar-se dogmas se não forem usados com critério. As ferramentas são úteis, mas não substituem o julgamento. Fearon perdeu milhões potenciais na Starbucks e Costco porque seguiu a sua fórmula em vez do seu instinto após conhecer os diretivos.

Se estás a investir, a empreender ou a gerir uma empresa, este livro dá-te um manual para detetar sinais de alarme antes que seja tarde demais. É mais fácil aprender com o fracasso alheio do que com o próprio.

 

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