Gosto de trabalhar em cafés.
Na mesa ao lado, um empreendedor faz pitch para um investidor.
E o "investidor" dá conselhos sobre como conduzir sua rodada.
A cada 3 palavras, 2 são em inglês.
Pitch deck, Venture Capital, Private Equity, Seed, Playbooks, Raise, Due Diligence, Appendix, Bootstrap, Grant, Feedback, 10X, Chief of Staff, SDRs.
Não respira entre uma frase e outra. Seu rosto fica levemente avermelhado. O monólogo é interminável, se estende por pelo menos 20 minutos sem uma única pausa.
Ninguém lhe ensinou o ponto e parágrafo. Mas fala de "narrativa".
A mistura conceitual que o "investidor" tem é brutal. Seu discurso é como um labirinto infinito no qual ele mesmo se perde. Mas é inimputável, porque o "status" que lhe é atribuído por intermediar fundos se associa incorretamente a conhecimento.
O empreendedor, por sua vez, escuta atento, com os olhos bem abertos, em silêncio absoluto, com paciência infinita, tentando decifrar o que está acontecendo.
Por dentro se convence de que o dinheiro que acredita precisar nunca chegará. "É demais o que precisa aprender."
Quando finalmente cessa o palavrório inesgotável do investidor, sem ter escutado nada, com a convicção de um especialista e olhar firme, fecha com um "Gosto da sua proposta".
E reabre a esperança. Mantém o funil avançando.
Quando vamos acabar com essa farsa de uma vez por todas?
O VC é o mais próximo de um esquema Ponzi. Gostaria de saber por quê?
Você pode começar por este artigo que publiquei em 2018: A trama oculta do ecossistema empreendedor atual.